Como se cura uma dor


Não aprendi ainda, meu bem
Se meia taça de espumante anestesia
Ou após tantos goles fica apenas vazia
Como a alma minha
Nem sei se fumar passa
Ou depois da fumaça
Fico eu assim repartida
Tal qual as cinzas
Se basta ouvir música dramática
E chorar até a última lágrima
Até parar de latejar e ser dor fraca
Depois deitar e dormir...
Acordar para viver o dia seguinte
E se preciso for:
Mais espumante, cigarros e drama
Até a sucessividade fazer cessar
Até o tempo fazer ser coisa besta
Que não dói,
Só pulsa lá no fundo
Com a lembrança boba
Desses seus olhos insistentes em cintilar. 

Tamara F. Menezes





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