Ângulos


Deixo a janela entreaberta
"Brisar" sonhos
Arejar

Ventania nos cabelos
Sopro leve
Ar

Pensamentos soltos
Frio pouco
Chá!

Tamara F. Menezes

Miniconto Etílico

Sentou-se num bar
Acenou ao garçom:
-duas doses de tequila,
um maço de cigarros.
Encheu a cara,
o cinzeiro...
Somente a alma permanecia vazia!

Tamara F. Menezes

Doses

Doses diárias de palavras
Escrita homeopática
a purgar os dissabores d'alma.

Tamara F. Menezes

Cigarros

Você foi desses prazeres voláteis
Degustado feito cigarros
Nunca duram mais que tragos
Mas deixam impregnados
O gosto na boca,
O cheiro nas mãos
Um vício insaciável!


Tamara F. Menezes 


hÁ MAR em mim

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Alma Bordada de Rima






Com qual rima você
borda a alma,
menina,
e se faz assim
linda, tal qual
obra-prima?

Tamara F. Menezes

Sorria

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Escritos

São só palavras carrilhadas
Lançadas sobre um papel roto
Retratos mentais de dias idos
Ou um desejo incontido
A tomar forma no planos dos sentidos
Palavra após palavra, ritmificadas
Para alcançá-lo e repousar em seu olhar
Entortar a mente mais sã
Mas são apenas signos ditando meus instintos
É apenas o que sou em termos de gramática
Minha semântica gasta
A fazer sinopse do intangível ser meu.


Tamara F. Menezes

Sua

Quero ser o cigarro por você tragado
Degustado até o fim
Ser o acorde suave
da canção que sua boca entoa
Em tom grave
Ser seu sexo vadio
Seu desejo a consumir-se em beijos
Quero ser a cerveja gelada
Lentamente, mesclada à sua saliva salgada
Ser música dissipada no ar
A retornar por suas narinas dilatadas
Ser letra de um bom refrão
Lembrado repetidas vezes à exaustão
Ser o verbo ardente
O corpo quente em que correm suas mãos
Ser seu sangue torrente
Seu pulsar
Sua vibração!


Tamara F. Menezes 

*fotografia por Bruno Braitt

Corpo Poético

Tenho porosidades poéticas
a transpirar os ardores de minh'alma
meu suor
é o verbo que não digo
minha saliva
é a canção que não entoo
a lágrima  em minha face
é palavra inaudível
Jorro  meu espírito em signos
escrevem-se versos
sobre minha tez 
Meu ser em impulsos elétricos
Taquicardia de ritmos
Sou folha branca
Inundada em silêncio
Esvaindo intensidade quente
Dilatando essa forma de gente
Em escrita divina!

Tamara F. Menezes



A Brisa



Tu és brisa
Branda e mansidão
Suavidade abrasadora
Sinto-te
Em meus cabelos esvoaçantes
Sobre meu tato, és arrepio
Repousas os lábios num frescor de beijo
A vibrar-me o corpo inteiro
Acalentando a minh'alma
Intermitente, haverás de cessar à janela
Restará um sopro de saudades
um vazio quente
...
Queria eu ser mar
Noite e dia
Deixar-me brisar.

Tamara F. Menezes 

Um Violão



Dedilhar
sonantes acordes
e toda espessura
do teu corpo suave
talhado em arte

Percorrer tuas cordas
Arfante em delírio
Harmônico atrito
Faz da nota signo
Rés...sois dourados 
...
Ecoam na vastidão do quarto

Faremos música
Densa e suada
Seremos, por um instante,
Canção plena
Inaudível aos outros
mas vibrante em nós

Tamara F. Menezes

Inefável

Quando lê minha escrita
despe meu corpo
desfronha minh'alma quente
em cada verso
meu pulsar latente
em cada estrofe
a decomposição lenta da minha mente
mas não me pode conhecer
achar que de mim sabe verdades
ali não há nem metade da minha densidade
eu peso lágrimas que não jorram
aprisiono gigantes que não gritam
o meu ser é mais infinito
não há páginas que o comporte
não há livro que o compacte
não há caneta que o descreva.

Tamara F. Menezes


AMORa



Tamara F. Menezes 

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Ruídos


Pensou que a vida estivesse desabando
Fechou os olhos para amortecer a queda
Sentiu o coração palpitante...
Era apenas o vento batendo-lhe na janela
Disposto a entrar e trazer novos ares

Tamara F. Menezes

ps.: Não tenha medo moça(o): são apenas ventos da mudança!