Hemorragia
Como um devorador escroto de corpos
Apalpa mulheres
Seus corpos como carne barata num açougue
Mete a língua em sua(s) virilhas/vagina "pro" auto prazer
Goza em suas dores
Sobre a vunerabilidade exposta
Que tentam disfarçar.
Eu quero vomitar teu sexo
Quero me limpar de ti
Odiar teu toque ímprobo
Purificar meu ser das tuas loucuras
Esquecer a tua crueldade
De homem.
Tâmara F. Menezes
Apalpa mulheres
Seus corpos como carne barata num açougue
Mete a língua em sua(s) virilhas/vagina "pro" auto prazer
Goza em suas dores
Sobre a vunerabilidade exposta
Que tentam disfarçar.
Eu quero vomitar teu sexo
Quero me limpar de ti
Odiar teu toque ímprobo
Purificar meu ser das tuas loucuras
Esquecer a tua crueldade
De homem.
Tâmara F. Menezes
Termogenia
Fosse como chá
quente sobre o corpo frio
Líquido e fluído
a percorrer lento
desde a boca
ao âmago.
Amornar as vísceras,
a vida.
Rastro com cheiro de mato
gosto canela
Mascavo
Vapores agengibrados.
Aprumo térmico:
igual coberta em dia úmido
refresco nos áridos.
Goles de água morna
auxiliar digestivo
a confusas horas.
Tamara F. Menezes
Quarta-feira de Cinzas
Se o nosso
amor já não tem salvado os dias
É tempo de
partir
Fazer o ser
meu parir
A força que
sempre achei em ti
Quando tudo
respirada mansidão
Fomos
Circuito festivo
na passagem de blocos
Agora têm
mais partículas soltas pelo ar
Nem confete
ou serpentina
O frevo silenciou
em Olinda.
Cada folião
guarda em si
A certeza: “todo
carnaval tem seu fim”.
E toda dor
tem seu compasso
Numa quarta-feira
de cinzas
Paciência,
meu bem
Há mais
festa ano que vem
Segue a cadência
desta vida
Faz do medo
percussão, e
Samba ao som da sua própria cuíca.
Tamara F. Menezes
Ida
Não há um átomo meu em
que você não reverbere.
Tenho-o em todas as lembranças
mesmo quando ainda não éramos
porque desde sempre
fui feita pra encontrá-lo
e nos achamos tão cedo
que fez a vida caminhar tão rápido
não senti
Agora faz-se tempo, meu bem
de seguir numa estrada nova
Não o chamo de passado
não o digo “não será”
Quero um instante meu
No qual eu reine só num mundo solitário
Deixe-me ir
Deixe o seu corpo desatrelar de mim
para que eu seja também a outra parte
ou para que eu apenas siga
sem jamais esquecer que metade do que sou
é influxo seu
porque você me ensinou a ser gente
quando eu era bicho acuado
você me disse que eu seria poesia
antes mesmo de eu desejar ser poeta
você leu em meus olhos a minha ida
antes que eu me desse conta que estava em fuga
porque você, meu bem, é o averso da minha alma
mas talvez nesta
vida,
sejamos somente
desencontro
o mais vil dos descompassos
a maior das dores.
Tamara F. Menezes
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