Quarta-feira de Cinzas


Se o nosso amor já não tem salvado os dias
É tempo de partir
Fazer o ser meu parir
A força que sempre achei em ti
Quando tudo respirada mansidão
Fomos
Circuito festivo na passagem de blocos
Agora têm mais partículas soltas pelo ar
Nem confete ou serpentina
O frevo silenciou em Olinda.
Cada folião guarda em si
A certeza: “todo carnaval tem seu fim”.
E toda dor tem seu compasso
Numa quarta-feira de cinzas
Paciência, meu bem
Há mais festa ano que vem
Segue a cadência desta vida
Faz do medo percussão, e
Samba ao som da sua própria cuíca.





Tamara F. Menezes

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